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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2015

ORAÇÃO - por Hélder Gonçalves

Das brumas do mar infinito A Musa cantou: De trombetas e cavalos alados, O Anúncio chegou! O som trovoou: Em Liras - Meu Deus, som divino! De cantos suaves, Que tanto me alegrou. Dando inesperada felicidade. No meu coração entrou Em estrofes e odes – Cânticos de bons augúrios A musa de longe cantou. Finalmente, de amor falou! Que os deuses, a nova, guardem: Tais Divinos anúncios - Que sejam prenúncios, De sentimentos que floresçam, E jamais feneçam. Acendo velas, todas que encontre Coloco-as em altares do mundo. De joelhos rezarei – Neles, bem defronte: Aí, me converto, Meu Deus! Mesmo em condição, se tal desejas: Pelo amor que me concedas, profundo, Em meu coração bem guardado, Com tua benção, sempre  o protejas!


Docarmo Maio 2012
Dedicado

Na cápsula do tempo

Na cápsula do tempo Onde sobrevivo Arquivado, sem luta Parado, sem lamento Comigo convivo Sem maestro, nem batuta!
Na cápsula do Tempo Espreito pela janela A vida rolar dia a dia Longe estou, vou vivendo Do mundo gasto em querelas Mesmo tempo eu percorria
Na cápsula do tempo Sobrevivo só com a saudade Dos amigos que vão partindo Da vigia espreito – Estou vendo O mundo afastar-se: A realidade Conformismo profundo e infindo
Na cápsula do tempo Que da terra mais se afasta Me deixa melhor enxergar O mundo lá longe correndo Tempo fútil que se gasta Contendas inúteis sem parar
Na cápsula do tempo Então, confesso, prefiro estar Sobrevivendo sem companhia Meus sonhos vou percorrendo De amores, sem poder amar Vãs Esperanças de algum Dia!
Na Cápsula do tempo sigo, sem parar!






Labirinto De Amor by Patrícia Pinna

Alegria não repousa mais aqui,desapareceu
Entre labirintos formados com o passar dos anos
E num plano bem hostil foi envenenando o que conheceu
Alma foi procurando reconquistá-la, mas refletiu-se em danos

De concreto é o labirinto,nem uma flor por entre suas pedras
Que não são mudas, falam entre si testemunhando o fracasso crescente
E num passo bem dorido observam toda a tristeza de trevas
Mudanças de luas, e um porvir nada benevolente

Queixumes que lhes tiram a vivacidade, o equilíbrio
E assuntos podem variar,resultando nas prisões
Carcereiros estão a espreitar, não querer libertar o brio
Dos que lutam para verem-se soltos e encontrar soluções

O verbo querer é estada quase inalcançável nesse sofrer, uma verdade
Repetida no inconsciente, trazida para o incrédulo consciente
E praticamente nada há de fazer, talvez, a necessidade
De reconhecer a imensa cratera aberta em peito onisciente 

E nesse sopro quase desfalecido, tentar sair do labirinto
Restaurar a alegria, domar o queixume, fazer o verbo querer …

A morte do Poeta - por Hélder Gonçalves

No dia do anúncio da morte do poeta da Paz - Zarzuelas, nos esconsos becos - País das trevas. Folguedos haviam - Hediondas, esquálidas figuras Carrancas em físicos nodosos. Cornos de Satanás Bocarras torcidas esculpidas em toscas  pedras, Dançavam, na morte do Poeta - Póstumas agruras!
Rodopiando em vertigens, com feios esgares. Enquanto o poeta jazia em marmóreo pedestal Pendurado, crucificado, nas suas plúmbeas asas. Em seus pés, todos os sonhos, e tantos azares Abutres se soltam - Aguardando banquete final Festim maquiavélico em redor de rubras brasas
Representação bem ao jeito das forças das trevas Do obscurantismo e das menores coisas da vida, Na voraz mesquinhez dos humanos interesses Aplaudindo e glorificando o mal, sem reservas Atropelando, espezinhando e rindo, logo à partida Do Poeta, suas mensagens de amor - Quantas vezes?
Mas parai, gente danada, dos confins do inferno Eis que surge nuvem branca, envolvente, dominadora. Travando tal concerto dos ratos tinhosos da hipocrisia Senhores das gélida…

Uma palavra - por Hélder Gonçalves

Uma palavra Cinco letras Tudo dito! Uma palavra Não proferida Demais sentida Magoada Dentro de nós Uma palavra Mil silêncios Olhos a brilhar Segundos intensos Mãos largadas Lentamente Momentos tensos Última chamada Um vai ficar Outro partirá Fim de tempo Costas voltadas Outro seguirá Voará nos céus Irá voltar? Um ficará Uma palavra Cinco letras Adeus!


Hélder Gonçalves Novembro 2013


OPINIÕES - Por Hélder Gonçalves

Há quem diga: Poeta é um fingidor! Está certo! -  Respeito tal  opinião Ele pode ser tudo - Seja o que for: Quanto a mim, será outra a razão
Poema será mais que tudo isso Gritos da alma -  Dos sentimentos, Do coração saídos em compromisso, Assenta na palavra e nos momentos
Poeta  é o que dá voz ao coração Nunca, mero exercício de palavras Fingidor? - Jamais serei, por devoção, Mesmo que por demais sejam amargas!

Hélder Gonçalves/Docarmo Dez. 2013

POEMA SEM RIMA por Hélder Gonçalves

Quero fazer um poema sem rima, Assim, como um quadro de Picasso. Palavras soltas,sem sentido, inócuas, Sem chama, complicadas, baralhadas. Deixo-as no papel à espera que alguém As descodifique, traduza - Lhes dê alma Quem sabe? Se o que acabo de escrever tem valor Se podemos tirar daqui sentimentos, Estados de alma, argumentos, Sabe-se lá! Mas cheguei a uma conclusão – O difícil É não escrever palavras certinhas, bonitinhas Mais complicado sim - São as palavras soltas, Sem sentido: inócuas, sem chama, complicadas Baralhadas É tão dificil que não consigo fazer o tal poema Sem rima!

Docarmo
Março 2012

Sentimentos por Hélder Gonçalves

A paixão é uma doença Que se cura com aspirina Casaco que no cabide esquecemos Ali ficando, com indiferença Perdendo-se na monótona rotina Escapa sem nos apercebermos
Ao contrário – o amor verdadeiro Que se aconchega e permanece No coração, ficará para sempre Sentimento perene - a tempo inteiro Que se resguarda e mais se enobrece
 Ficará, e depois com ternura se lembre!


Fraqueza do Corpo, Vazio de Alma! by Patrícia Pinna

Distante caminho solitário que não sente
E para si mesmo mente descontente
Vendo luas  e sóis, desertos e oásis
Abrigo e relento,desventura e ventura, 
Prossegue em dias sem arrebol, sem paixão
Vivendo em uma escuridão tão morna

Enfraquecido está o seu corpo,sua alma vazia
Sem a primazia da felicidade em lábios não mais pueris
Adormecido está o amor, talvez ausente, e isto sente
Quase enlouquece, não mais se aquece, entristece
Aos poucos o sopro vivente, deságua em mares

E como em canção solitária, sangra a alma
Naufragando interminavelmente em segundos
E, lá no fundo, tem gosto de fel,amargura e salinidade
E a serenidade  partiu, desistiu de si, desarmonizou
Sucumbiu, não teve mais força de lutar, chorou

Prostrou  suas dores, seus desamores nas dunas
Deixando fluir uma forma própria sem interferir
Quiça dali surgisse um lábio imenso a  lhe sorrir?
Mistérios guardados pelo tempo a serem revelados!


                                                                  Patrícia Pinna



A Minha Luta - Por Hélder Gonçalves

Eu quero lutar contra o tempo, Numa derrota anunciada. De pé sempre estarei, Como aquela árvore ao vento, No percurso final da estrada, Vertical, como ela, ficarei!
Meu velho coração, tão teimoso. Sempre amando - É um lutador! Jamais reconhece outro sentido: Aquele que se afirma tão poderoso: Pela vida, pelo bem, pelo amor, Tudo que de bom tem repartido.
Estarei só, sem remorso. Repetiria o que na vida pratiquei, Como homem e humano eu vivi: Em cavalo branco, montei no dorso. Em tudo, nas fantasias que criei: Porque viver é isso – Para além de si!


Hélder Gonçalves Nov. 2013